Devolução de Compras por Simples Nacional

Devolução de compras por Simples Nacional: o que você precisa saber

A devolução de compras por Simples Nacional exige atenção fiscal, mesmo quando a empresa não destaca normalmente ICMS, IPI, PIS e COFINS em suas vendas. Na prática, a NF-e de devolução precisa espelhar a operação original de compra, informar o CFOP correto, usar o CSOSN adequado e referenciar a chave de acesso da NF-e recebida.

Além disso, a empresa precisa separar corretamente dois cenários que costumam gerar confusão: devolução de compra e devolução de venda. Na devolução de compra, a empresa está devolvendo uma mercadoria ao fornecedor. Portanto, o foco está em anular a operação de entrada, ajustar estoque, fornecedores, XML e controles fiscais.

Por outro lado, na devolução de venda, existe estorno de receita. Essa diferença é importante porque evita erro no DAS, na escrituração e na interpretação fiscal da operação.

Resumo rápido da devolução de compras no Simples Nacional

CampoTratamento mais comum
Tipo de operaçãoSaída de devolução de compra
Documento fiscalNF-e modelo 55
NF-e originalDeve ser referenciada pela chave de acesso
CFOP interno5.201, 5.202, 5.553, 5.556, conforme a finalidade
CFOP interestadual6.201, 6.202, 6.553, 6.556, conforme a finalidade
CSOSN mais usado900 — Outros
ICMSInformar conforme operação original, quando aplicável
IPIInformar em campo próprio de devolução, quando existir na compra
PIS/COFINSNormalmente sem destaque, com CST 49 ou 99 conforme parametrização
EstoqueDeve ser baixado ou estornado
DASNão reduz receita, pois é devolução de compra, não devolução de venda
XMLDeve ser guardado junto com o XML da compra original

O que é devolução de compras por Simples Nacional?

A devolução de compras acontece quando a empresa compradora decide devolver ao fornecedor uma mercadoria que já foi recebida. Isso pode ocorrer por defeito, erro de pedido, divergência de quantidade, desacordo comercial, erro fiscal na nota ou mercadoria diferente da negociada.

No caso de empresa optante pelo Simples Nacional, a devolução não deve ser tratada como uma venda normal. Embora a NF-e seja emitida como uma saída, a natureza da operação é de devolução de compra.

Dessa forma, a nota fiscal deve demonstrar que aquela saída está vinculada a uma entrada anterior. Por isso, a chave de acesso da NF-e original deve ser informada no documento fiscal de devolução.

Devolução de compra não é devolução de venda

Esse ponto merece atenção especial. Na devolução de venda, a empresa vendeu uma mercadoria e depois recebeu essa mercadoria de volta. Nesse caso, pode haver reflexo na receita bruta e no cálculo do Simples Nacional.

No entanto, na devolução de compra, a empresa está devolvendo ao fornecedor algo que havia comprado. Portanto, em regra, não se trata de redução de faturamento. O reflexo principal ocorre em estoque, contas a pagar, XML, controle fiscal e escrituração.

Em outras palavras, a devolução de compra não deve ser lançada como se fosse uma venda cancelada. Ela deve ser tratada como uma operação vinculada à compra original.

Quando emitir NF-e de devolução de compras?

A empresa do Simples Nacional deve emitir NF-e de devolução quando precisa devolver mercadoria ao fornecedor e a operação exige documento fiscal próprio.

Isso costuma acontecer nas seguintes situações:

SituaçãoExemplo prático
Mercadoria com defeitoProduto recebido com avaria ou problema de qualidade
Erro no pedidoCompra feita com quantidade, modelo ou item incorreto
Divergência fiscalNCM, CFOP, CST, valor ou imposto incorreto na NF-e de compra
Desacordo comercialMercadoria recebida fora das condições combinadas
Devolução parcialApenas parte dos itens da NF-e original será devolvida
Devolução totalToda a compra será devolvida ao fornecedor

Portanto, antes de emitir a NF-e, a empresa deve conferir a nota original e identificar exatamente quais itens serão devolvidos.

Como emitir NF-e de devolução de compras por Simples Nacional

A emissão da NF-e de devolução deve seguir uma sequência lógica. Assim, o risco de rejeição, inconsistência no XML ou erro fiscal fica muito menor.

1. Localize a NF-e original de compra

Primeiro, localize o XML da NF-e de compra. O ideal é usar o XML autorizado, e não apenas o DANFE, porque o XML contém todos os dados fiscais da operação.

Confira principalmente:

CampoConferência necessária
Chave de acessoDeve ser referenciada na NF-e de devolução
CNPJ do fornecedorDeve ser o destinatário da devolução
CFOP da compraAjuda a definir o CFOP de devolução
NCMDeve ser mantido conforme a mercadoria
QuantidadeDeve refletir total ou parcial devolvido
Valor unitárioDeve seguir a operação original
ICMSDeve ser analisado conforme o regime do fornecedor
IPIDeve ser devolvido quando constou na compra
PIS/COFINSNormalmente sem destaque para empresa do Simples

2. Informe a finalidade correta da NF-e

Em seguida, a NF-e deve ser emitida com finalidade de devolução. Esse detalhe é importante porque diferencia a operação de uma venda comum.

Além disso, a NF-e de devolução deve referenciar a chave de acesso da nota fiscal original. Sem essa referência, o fornecedor pode ter dificuldade para escriturar a entrada de devolução e estornar corretamente os efeitos fiscais da venda original.

3. Escolha o CFOP de devolução correto

Depois disso, escolha o CFOP conforme a finalidade da compra original e a UF do fornecedor. O primeiro dígito do CFOP indica se a operação é interna ou interestadual.

Use 5.xxx quando o fornecedor estiver no mesmo Estado. Use 6.xxx quando o fornecedor estiver em outro Estado.

Tabela prática de CFOP para devolução de compras

SituaçãoCFOP internoCFOP interestadual
Devolução de compra para industrialização5.2016.201
Devolução de compra para comercialização/revenda5.2026.202
Devolução de ativo imobilizado5.5536.553
Devolução de material de uso ou consumo5.5566.556
Devolução de compra com substituição tributária5.411 / 5.412 / 5.4136.411 / 6.412 / 6.413

Na prática, o erro mais comum é usar o CFOP de venda no lugar do CFOP de devolução. Por isso, a empresa deve analisar a finalidade da entrada original antes de emitir a NF-e.

Qual CSOSN usar na devolução de compras?

Para empresas do Simples Nacional, o CSOSN 900 — Outros costuma ser utilizado nas NF-e de devolução de compras, principalmente quando é necessário informar valores de ICMS relacionados à operação original.

Esse CSOSN permite tratar uma operação que não representa venda tributada normal do Simples Nacional. Portanto, ele é usado para indicar que a saída tem natureza específica de devolução.

Ainda assim, a parametrização deve ser validada com o contador e com o ERP utilizado, porque alguns sistemas exigem configurações específicas para autorizar a NF-e sem rejeições.

ICMS na devolução de compras por Simples Nacional

O ICMS é um dos pontos que mais gera dúvida. Como regra prática, a devolução deve acompanhar o tratamento da operação original.

Se a compra foi feita de fornecedor do regime normal, como Lucro Presumido ou Lucro Real, a NF-e original provavelmente trouxe ICMS destacado. Nesse caso, a devolução deve informar os dados necessários para que o fornecedor consiga registrar a entrada de devolução e estornar os efeitos da venda original.

Porém, se a compra foi feita de fornecedor também optante pelo Simples Nacional, normalmente não houve destaque de ICMS em campos próprios na NF-e original. Nesse cenário, a devolução tende a seguir a mesma lógica da nota original, sem criar um destaque de imposto que não existiu na compra.

Exemplo de análise do ICMS

Fornecedor originalComo analisar a devolução
Lucro Real ou Lucro PresumidoVerificar ICMS destacado na NF-e original e informar os valores correspondentes na devolução, quando aplicável
Simples NacionalNormalmente não há ICMS destacado em campos próprios; a devolução deve espelhar a operação original
Operação com STConferir ICMS-ST, CEST, informações complementares e regras da UF
Operação interestadualConferir alíquota, UF de origem/destino e eventual tratamento específico

Portanto, o cuidado principal é não inventar tributação. A devolução deve refletir a nota de compra.

IPI na devolução de compras por Simples Nacional

O IPI também deve ser analisado com atenção. Quando a NF-e de compra trouxe IPI, a devolução precisa informar o valor correspondente ao item devolvido.

Na NF-e, o valor de IPI devolvido pode ser tratado em campo próprio de devolução, como o vIPIDevol, conforme parametrização do sistema emissor. Além disso, é recomendável mencionar nas informações complementares que o IPI informado corresponde à devolução da NF-e original.

Na prática, o cuidado é evitar que o valor total da devolução fique diferente da operação original. Por isso, quando houver IPI na compra, o valor proporcional deve ser analisado item a item.

PIS e COFINS na devolução de compras por Simples Nacional

Empresas optantes pelo Simples Nacional normalmente não destacam PIS e COFINS em suas notas fiscais de venda. Por consequência, na devolução de compra, o tratamento mais comum é informar PIS e COFINS sem destaque, com base, alíquota e valor zerados.

Muitos ERPs utilizam CST 49 — Outras Operações de Saída. Outros sistemas trabalham com CST 99 — Outras Operações. O ponto principal é manter coerência com a parametrização fiscal adotada pela empresa e evitar destaque indevido de PIS/COFINS.

TributoCódigo comumTratamento prático
PIS49 ou 99Sem destaque, base e valor zerados
COFINS49 ou 99Sem destaque, base e valor zerados
ICMSCSOSN 900Informar conforme a operação original, quando aplicável
IPIvIPIDevol / configuração do ERPInformar valor devolvido quando existiu na compra

Exemplo prático de devolução de compra no Simples Nacional

Imagine que uma empresa do Simples Nacional comprou mercadorias para revenda de um fornecedor do Lucro Presumido localizado no mesmo Estado.

A NF-e de compra apresentou os seguintes dados:

CampoValor
Valor dos produtosR$ 10.000,00
ICMS destacadoR$ 1.800,00
IPIR$ 500,00
Finalidade da compraRevenda
OperaçãoInterna

Depois da conferência, a empresa decidiu devolver 50% da mercadoria.

Nesse caso, a NF-e de devolução deve considerar:

CampoValor na devolução
CFOP5.202
CSOSN900
Valor dos produtosR$ 5.000,00
ICMS proporcionalR$ 900,00
IPI proporcionalR$ 250,00
Chave da NF-e originalDeve ser referenciada
Informações complementaresInformar motivo e dados da NF-e original

Dessa forma, a devolução fica proporcional à operação de compra. Além disso, o fornecedor consegue registrar a entrada de devolução corretamente.

Como informar a chave da NF-e original

A chave da NF-e original deve ser informada no grupo de documentos referenciados da NF-e de devolução. Esse preenchimento é essencial porque vincula a devolução à compra que está sendo anulada total ou parcialmente.

Além disso, nas informações complementares, é recomendável incluir uma observação objetiva, como:

NF-e emitida para devolução parcial de compra referente à NF-e nº 000000, série 1, chave de acesso XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX, emitida em DD/MM/AAAA. Motivo: devolução por desacordo comercial.

Esse tipo de descrição ajuda o fornecedor, o contador e a fiscalização a entenderem a operação.

Como fica o estoque e o contas a pagar?

Na devolução de compra, a empresa deve ajustar o estoque. Se a mercadoria ainda estiver em estoque, a baixa será direta. Porém, se parte da mercadoria já tiver sido movimentada, o contador deve avaliar o reflexo contábil correto.

Além disso, o contas a pagar também precisa ser ajustado. Quando a compra ainda não foi paga, a devolução pode reduzir o valor devido ao fornecedor. Por outro lado, se a compra já foi paga, a empresa pode ter crédito, reembolso ou compensação comercial.

Portanto, a NF-e é apenas uma parte do processo. O controle fiscal, contábil e financeiro precisa acompanhar a devolução.

Como fica o SPED na devolução de compras?

Empresas do Simples Nacional nem sempre estão obrigadas à entrega da EFD ICMS/IPI, pois isso depende da legislação de cada Estado e do perfil da empresa. Ainda assim, a operação precisa estar corretamente registrada nos controles fiscais e contábeis.

Já o fornecedor que recebe a mercadoria devolvida, quando está no regime normal, deve escriturar a NF-e recebida conforme as regras aplicáveis ao seu regime tributário. Por isso, a NF-e de devolução precisa estar bem preenchida.

Dessa forma, o XML correto protege os dois lados da operação: quem devolve e quem recebe a devolução.

Principais erros na devolução de compras por Simples Nacional

ErroRisco fiscal
Não referenciar a NF-e originalDificulta a escrituração e pode gerar questionamento fiscal
Usar CFOP de venda comumDescaracteriza a devolução
Usar CFOP interno em operação interestadualPode gerar rejeição ou escrituração incorreta
Não informar ICMS quando a operação original exigiaPode prejudicar o fornecedor no estorno/crédito
Destacar PIS/COFINS indevidamenteGera divergência fiscal
Ignorar IPI da compra originalValor total da devolução pode ficar incorreto
Tratar devolução de compra como devolução de vendaPode afetar indevidamente o DAS
Não guardar XML da compra e da devoluçãoAumenta risco em auditoria

Checklist antes de emitir a NF-e de devolução

Antes de transmitir a NF-e, confira:

  • A chave de acesso da NF-e original foi referenciada.
  • O CNPJ do fornecedor está correto.
  • O CFOP corresponde à finalidade da compra original.
  • A operação interna ou interestadual foi identificada corretamente.
  • O CSOSN foi parametrizado corretamente.
  • O NCM e a descrição dos produtos conferem com a NF-e original.
  • A quantidade devolvida está correta.
  • O valor unitário segue a compra original.
  • ICMS, IPI, PIS e COFINS foram analisados conforme a operação original.
  • O motivo da devolução foi informado.
  • O XML autorizado foi salvo.
  • O estoque e o financeiro serão ajustados.

Perguntas frequentes sobre devolução de compras por Simples Nacional

Qual CFOP usar na devolução de compras por Simples Nacional?

Depende da finalidade da compra original e da UF do fornecedor. Para mercadoria comprada para revenda, usa-se normalmente 5.202 em operação interna e 6.202 em operação interestadual. Para compra destinada à industrialização, os CFOPs comuns são 5.201 e 6.201.

Qual CSOSN usar na devolução de compras?

O CSOSN mais comum é o 900 — Outros, pois a devolução não representa uma venda tributada normal do Simples Nacional. Mesmo assim, a parametrização deve ser validada com o contador e com o ERP.

Empresa do Simples Nacional destaca ICMS na devolução de compra?

A empresa do Simples Nacional não deve tratar a devolução como venda comum. Porém, quando a compra original veio de fornecedor do regime normal e trouxe ICMS destacado, a NF-e de devolução pode precisar informar base e valor do ICMS conforme a operação original.

Como informar IPI na devolução de compras?

Quando a compra original trouxe IPI, o valor proporcional ao item devolvido deve ser informado na NF-e de devolução, geralmente em campo próprio de IPI devolvido, conforme o emissor de NF-e. Também é recomendável mencionar o valor nas informações complementares.

PIS e COFINS devem ser destacados na devolução?

Normalmente não. Para empresas do Simples Nacional, PIS e COFINS costumam ser informados sem destaque, com CST 49 ou 99, conforme a parametrização fiscal adotada.

A devolução de compra reduz o DAS do Simples Nacional?

Em regra, não. A devolução de compra não é devolução de venda. Portanto, o foco não é reduzir receita bruta, mas sim ajustar estoque, fornecedor, XML, financeiro e controle fiscal.

É obrigatório guardar o XML da compra e da devolução?

Sim. A empresa deve guardar o XML da NF-e original de compra e o XML da NF-e de devolução. Esses documentos comprovam a operação e ajudam em auditorias fiscais, conferências de SPED e conciliações contábeis.

Conclusão

A devolução de compras por Simples Nacional precisa ser tratada com cuidado porque envolve CFOP, CSOSN, ICMS, IPI, PIS/COFINS, XML, estoque e escrituração. Embora pareça uma operação simples, um preenchimento incorreto pode gerar rejeição da NF-e, divergência com o fornecedor ou inconsistência fiscal.

Portanto, antes de emitir a nota, confira a NF-e original, valide o CFOP, analise os tributos e mantenha todos os XMLs organizados. Dessa forma, a empresa reduz riscos e mantém segurança fiscal na operação.

Para empresas que lidam com grande volume de XMLs, devoluções, CFOPs e conferências fiscais, uma ferramenta de monitoramento e organização fiscal pode evitar retrabalho, perda de documentos e falhas na escrituração. O Fiscal.io ajuda justamente nesse controle, mantendo XMLs vivos, organizados e disponíveis para auditoria.

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